EXPOSIÇÃO RESPEITA AS MINAS

(por Tatit Brandão - professora de fotografia)

O projeto Fotografia: Respeita as Minas nasce da proposta de uma oficina para jovens de 13 a 21 anos, porém nesta edição incluímos a presença de uma jovem de 39 anos por conta de seu interesse na abordagem. Embora tenha acontecido nas dependências do SESC Pinheiros, a oficina contou não só com a participação de pessoas de regiões próximas como o Butantã, mas também do Capão Redondo, Cidade Tiradentes, Osasco, Taboão da Serra, Carapicuíba, Santo Amaro, Jaçanã, Cangaíba, Casa Verde e Vila das Mercês.

A proposta trouxe nesta edição a participação da professora assistente e arte educadora Fernanda Ocanto, que propôs o estudo da história da arte e a imagem da mulher na história, abordagem que traçou uma linha do tempo desde a análise imagética da Vênus da pré-história até a Vênus moderna (Maria Madalena) representada por Dalí. Deste ponto de partida levantamos as seguintes questões: Qual é a imagem de mulher que queremos e não queremos (re)produzir? O que é ser mulher? Estas perguntas nortearam o nosso pensamento desde o início. Deste recorte pautado exclusivamente na temática de gênero apresentamos aos jovens técnicas e conceitos de produção fotográfica, que auxiliaram no processo de elaboração das imagens. Finalizamos o nosso recorte e participação apresentando artistas no campo da fotografia, mulheres fotógrafas e os retratos que elas produziram ou produzem de mulheres, para tentar responder então: Qual a representação da mulher na imagem fotográfica? 

Entre os cliques das/os participantes da oficina, vê-se claramente como foi rica a exploração de possibilidades em relação a formas de se fazer retratos femininos. Quem é a mulher que eu quero mostrar? Qual é a imagem que me representa enquanto mulher? Como posso produzir uma imagem que quebre os estereótipos que a sociedade machista e patriarcal nos empurram goela abaixo? Qual imagem é capaz de falar, sem verbo, sobre a minha opinião e sobre o meu desejo de lutar contra as opressões que sofro (e sofremos, todas nós), diariamente, somente pela condição de ser mulher? Questionamentos como estes ajudaram cada um/a na pesquisa pessoal do "quem sou hoje?", "em quem estou me transformando" e "quem eu quero ser" - matéria prima para a construção do olhar para o próprio corpo e para o corpo da/o outra/o. 

 

​Para a produção das fotos, contamos com espaços abertos com luz natural, salas fechadas com iluminação artificial e também com um auditório rico em possibilidades de luzes de palco e projeções - o que auxiliou e aguçou ainda mais as ferramentas principais da fotografia: a criatividade e o exercício do olhar fotográfico. Ao final, vivenciamos a curadoria coletiva, o que fez com que as fotos expostas aqui fossem escolhidas por todas/os, sem a censura crítica de um indivíduo único ou uma instituição. ​A riqueza da produção deste material se deve, com toda a certeza, ao fato de ser um grupo heterogêneo e cada um/a das/os jovens, com suas diferentes vivências e históricos, terem se disponibilizado para a troca, se abrindo ao novo e contribuindo com um lindo processo de criação coletiva.